O sertão
foi invadido pelo mar
Somente essa afirmação explica a quantidade de riquezas naturais, geológicas e fossilíferas encontradas na região do Cariri. Somente em Missão Velha podemos identificar a presença de rochas de mais de 420 milhões de anos, do período, Siluriano e também a famosa floresta petrificada de coníferas datadas em mais de 145 milhões de anos. O arenito encontrado nessas rochas indicam a invasão de um mar raso na região.
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A Região ficou conhecida mundialmente por ser a primeira a romper com a hipótese de que era impossível se ter registros fossilíferos de asas e camadas mais finas de animais e plantas. E foi com a descoberta de Bechly em 1998 do fóssil de libélula Cordulagomphus andreneli que isso aconteceu. Anos depois, mais descobertas surgiram, uma rara espécie de caranguejo de água doce, encontrada no ano de 2013, (Santana, Pinheiro, Silva e Saraiva) e a mais recente, o primeiro fóssil de coração de peixe em 3D (Maldonis) no ano de 2016.
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Embora essas descobertas não tenham sido expostas na região, muitos pesquisadores, em grande parte Europeus, vem pesquisar os fenômenos que aconteceram há milhões de anos. O curioso é que na região do Geopark Ngorongoro Legain, Tanzânia, a semelhança geológica com o Cariri é indescritível, a datação das rochas, a vegetação e até o clima. Tudo isso decorrente da separação da Pangéia.
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No Cariri, a região de Missão Velha faz parte do Geopark Araripe, em seus dois geossítios: Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada. Com características históricas, geológicas e culturais, onde a biodiversidade e a geodiversidade são plurais e envolvem a comunidade com ações que movem a economia local, fundamentados pela UNESCO, o Geopark é um programa onde essas características apresentadas anteriormente são fundamentais para a construção de uma identidade histórica de pertencimento e de educação ambiental.
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Passe o mouse na escala geológica abaixo e descubra onde está a Formação Missão Velha
Localize-se
Passe o mouse na figura abaixo e você encontrará os dois geossítios do município de Missão Velha.
A Cachoeira que nunca secou
O sertão sempre foi representado pela grande seca, mas a região da Cachoeira de Missão Velha, localizada a 3 km do centro da cidade, era um dos poucos lugares onde se podia encontrar água em abundância. Com uma queda d'água de quase 12 metros de altura, esse local supostamente foi encontro de cangaceiros no início do século XX.
As rochas presentes nesse geossítio são datadas em mais de 420 milhões de anos, e os sedimentos encontrados que originaram o arenito explicam que a região foi invadida por um mar raso, como explica o geólogo Rafael Soares.
São encontrados vestígios de populações indígenas e restos de casas de pedra que são datadas próximas a época da colonização do Cariri, no início do século XVII.
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Clique no ícone para ver a Cachoeira de Missão Velha
pegadas ou icnofósseis?
Próximo ao geossítio Cachoeira de Missão Velha exitem pequenos vestígios de iconofósseis, segundo paleontólogos, são fósseis de organismos invertebrados aquáticos. Na Cachoeira, esses icnofósseis chegam a ser datados em 420 milhões de anos.
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Segundo o Geopark Araripe, o conhecimento popular também é importante. Os moradores de Missão Velha, associam essas pequenas marcas nas rochas como pegadas de animais (na maior parte das vezes é citado pés de aves, ou pássaros) que vieram na barca de Noé, depois do dilúvio.
O conhecimento científico sempre se interlaça com o conhecimento popular, ou seja, ambos são importantes para a manutenção dos estudos e a continuação de histórias.

Na Região do Cariri os fósseis são encontrados facilmente, e no município de Missão Velha, mais precisamente no sítio Olho D'água comprido, existe um fato mais do que curioso. As árvores denominadas coníferas, (grupo de pinheiros) características do sul do país pelas baixas temperaturas, existiram nessa região há 145 milhões de anos, e através do processo de fossilização se tornaram troncos fossilizados.
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Segundo o geógrafo Rafael Soares esse geossítio "É um ponto distinto em relação aos demais, porque ele é um afloramento que reflete o período Jurássico, é um geossítio com uma propensão científica muito forte." No Brasil esses fósseis são encontrados em regiões como: Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Tocantins.
"Os fósseis de troncos petrificados evidenciam que naquela época (Período Jurássico), existiam na região colinas cobertas por florestas recortadas por rios que transportavam os troncos caídos e que eram depois depositados em meio às areias e argilas, sendo fossilizados ao longo do tempo geológico.​" Conta.
Observe o esquema de fossilização abaixo:
Tronco fossilizado

Os pinheiros se localizavam próximos às margens de rios.
Quando caídos, os troncos dessas árvores eram arrastados pelos rios juntamente com areia e argila.
Esse material ficou depositado no leito do rio, onde as a concentração de minerais nas águas era maior.
Então houve a substituição das células vegetais dos troncos pelos minerais da água, acontecendo assim a fossilização.




Kariri, o homem esquecido
É comum entre os moradores mais antigos de Missão Velha um relato que data do século XVII. Era a época da guerra de repressão que os portugueses moviam contra as tribos indígenas do nordeste brasileiro. A história é popularmente conhecida como “a lenda da índia encontrada”. Segundos os relatos, uma índia Kariri foi encontrada em uma cumbuca, após ter sido abandonada, ainda recém-nascida, pela mãe dele.
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A mulher que a encontrou não hesitou em adotar a pequena índia. A menina cresceu e, constantemente, se lamentava por não saber algo sobre os seus antepassados. Um dia, em meio aos seus lamentos, sentenciou: "Muitos índios daqui não vão conhecer seus antepassados. As raças misturar-se-ão e outros vão fugir para outros lugares."
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O relato, disseminado pelos moradores, trata da lenda, mas não é possível afirmar se esta história é verdadeira ou falsa. O fato é que ela diz muito sobre a situação atual dos relatos sobre os índios Kariris: os próprios descendentes destas tribos pouco sabem sobre sua própria história.
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Para tentar criar um quadro sobre quem eram estes antigos habitantes do sul cearense é necessário bastante esforço. Ainda há pouquíssima pesquisa acadêmica sobre a cultura destes povos. E o material encontrado desta antiga civilização também é bastante escasso.
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CONFIRA ALGUNS OBJETOS ENCONTRADOS NO MUNICÍPIO DE MISSÃO VELHA, QUE ESTÃO DISPONÍVEIS NO MEMORIAL DO HOMEM KARIRI, EM NOVA OLINDA:
Branding
Storytelling
DESIGN
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Sou um parágrafo. Clique aqui para adicionar e editar seu próprio texto. É fácil.

Raspador uni-facial. Encontrado no Sítio Quimami.

Pedra polida para uso ritualístico. Encontrado no Sítio Jamacaru

Mão de Pilão de pedra polida. Encontrado no Sítio Caiçara.

Raspador uni-facial. Encontrado no Sítio Caiçara.
Carirys, Carirés, Kiriris, Kariris... a grafia varia bastante em meio aos documentos antigos. Mas qual a origem etimológica do nome Cariri? O termo faz referência a um povo tristonho, calado, silencioso. O historiador cratense Figueiredo Filho vê no termo uma referência a uma suposta covardia.
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Mas, segundo ele, isto não passa de um apelido que fora dado pelos tupis, não passando de “uma mentira indigna de registro”. Figueiredo, junto com outros historiadores da região, é responsável por definir os guerreiros Cariris como uma tribo forte e destemida, a despeito de seu nome.
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Figueiredo relaciona esta bravura dos indígenas com a do atual cidadão caririense. “O mestiço do Cariri, pela sua afoiteza em lutas individuais, é autêntico herói nacional”.
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Fisicamente, estes povos são descritos como de baixa estatura, braquicéfalos e relativamente camecrânios. Estes dois últimos termos indicam, em outras palavras, que eles tinham a cabeça chata.
Os Kariris sempre foram uma tribo nômade. Mas, eles chegaram até o território que hoje é Missão Velha refugiados da guerra de repressão, movida pelos portugueses no final do século XVII. A guerra ficou conhecida como “Confederação dos Cariris”, durando de 1683 a 1713.
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A região acabou se tornando uma boa terra para os refugiados. A natureza desta região do sul cearense fornecia em abundância o que estes povos necessitavam. As grandes safras de macaúba, pequi, araçá, e outras frutas silvestres, junto com a facilidade para caça nas matas faziam do local um paraíso para os indígenas.
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Passada a guerra, missionários de diversas ordens religiosas vieram as terras caririenses em busca de reconciliação e catequização dos Kariris. Os jesuítas agruparam os índios sob sua autoridade eclesiástica, em “aldeias” ou “missões”.
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No sítio Cachoeira foi criado a Missão de São José, que teve em 1760 a construção da Igreja Matriz de São José, sob a autoridade do bispo de Olinda. O curato passou a ser chamado “São José da Missão Velha do Cariri”, sendo o ponto de partida para a fundação do município de Missão Velha.
nova missão no cariri
A história contada é que por volta de 1725, os Frades Capuchinhos e Frei Carlos Maria de Ferrara vieram da Itália via Olinda, vieram para a missão aqui no Sul do Ceará. As primeiras missões feitas na região deram-se o nome de Missão do Cariri, o nome escolhido devido à tribo indígena que lá habitava os índios Kariris.
Vindos em missão para evangelização do povo, os frades precisavam erguer um templo, onde pudessem realizar as celebrações e as catequeses. Infelizmente durante este período o Nordeste inteiro passa por um longo e duro período de seca. A estiagem alastrou a região e fez secar fontes, estagnar rios e a fome tomar conta da região.
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O sacerdote, Mons. Bosco Cartaxo conta como foi a vinda dos frades as terras dos índios Kariris, onde construíram o primeiro templo católico do Cairiri, localizado na Comunidade de Missão Nova.
Avistando as serras ao longe [a chapada do Araripe] a confraria italiana decide subir em busca de água. Caminhando cerca de 12km estrada a dentro, Frei Ferrara junto aos seus irmãos encontram um riacho que desaguava, mesmo com o sertão seco que predominava aos arredores. O rio se encontrava em um pequeno povoado. Lá os frades recomeçam sua missão, a Missão Nova [nome dado para se diferenciar da Missão anterior, ou Missão Velha], e decidem erguer naquele chão um templo.
Surge assim a Capela dedicada ao Santo frade português, Santo Antônio de Pádua.
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Primeiro Templo Católico do Cariri
A abundância de água encontrada na vila dos Cariris Novos foi o principal fator da escolha do local. Nos arredores do riacho missão nova, os frades encontraram não só um lugar de sobrevivências, devido a grande seca, mais um local onde poderiam erguer um lugar de evangelização e catequese. Surge assim o 1º Templo Católico do Cariri, fundado pelo Frei Carlos junto a sua confraria. Ali, na pequena capela de Santo Antônio foram feitos casamentos, batizados e as primeiras celebrações na região do Cariri Cearense.
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Construída ainda no ano de 1725, o templo foi se deteriorando ao longo do tempo. O único registro da possível construção inicial é uma pintura encontrada atrás da capela. Com o passar dos anos, a comunidade decide então reconstruir o templo. Os moradores contam que por volta de 1928 a reforma foi iniciada. Todos os anos, durante cinco anos, após a festa do padroeiro, a renda conquistada ao final das festividades era convertida para a reforma. A inauguração dada do ano de 1933, e teve como construtores o pedreiro Joaquim Felix Rolim, carinhosamente conhecido como Joaca. Ele, juntamente com dois outros “heróis da colher de pedreiro”, reegueram o novo lugar de oração.
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Templo amplo e vistoso, a nova capela traz em sua construção algumas características da arquitetura barroca, marcadas por seus arcos e desenhos geométricos. Todo o projeto arquitetônico da atual capela foi concebido pelo próprio Joaca Rolim.
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Veja algumas imagens do primeiro templo católico da região do Cariri




Exterior do Primeiro templo católico do Cariri - Distrito de Missão Nova (CE)

Detalhes do exterior do Primeiro templo católico do Cariri - Distrito de Missão Nova (CE)

Segundo a comunidade, assim teria sido a construção inicial da Capela de Santo Antônio

Exterior do Primeiro templo católico do Cariri - Distrito de Missão Nova (CE)
Embora ainda um pouco conhecida, toda a história que se sabe foram registros feitos pelo médico e historiador, Dr. Napoleão Tavares Neves. Amigo da família Rolim, e sempre visitante da comunidade, se interessando pelo que ouvia no alpendre do casarão, levantou informações e decidiu escrever o livro que conta a história sobre o templo católico, considerado hoje a janela da evangelização do cariri.
Napoleão Tavares Neves tem 83 anos e é médico aposentado. Além do amor pela medicina, profissão que exerceu durante sessenta anos de sua vida, o médico escreveu oito obras, entre elas Primeiro Templo Católico do Cariri e outros fatos históricos, encontrando na literatura uma nova paixão, a escrita e o resgate histórico da região.

o legado permanece vivo...
Conhecido como o homem que reconstruiu a capela de Santo Antônio dos Cariris Novos, o senhor Joaca Rolim é um herói para a comunidade de Missão Nova. Lutou pela construção social, educacional e econômica da pequena vila. A sua vida está intimamente ligada a toda história do Primeiro Templo Católico do Cariri.
Há 18 anos, a família Rolim decidiu abrir as portas do casarão da família para o público. O Memorial Joaca e Toinha se encontra na vila, próximo à Capela e abriga objetos e imagens que contam a história da região.
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A seguir, conheça um pouco do Memorial Joaca e Toinha:







